
Nobel de Economia alerta: “A inteligência artificial vai aumentar a desigualdade”
Nobel de Economia alerta: “A inteligência artificial vai aumentar a desigualdade”
O economista James A. Robinson, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2024, foi direto ao ponto em uma recente entrevista: a inteligência artificial não vai apenas transformar o mundo — ela vai escancarar ainda mais as desigualdades.
A fala, publicada originalmente pela Bloomberg Línea, levanta um debate urgente que vai além da empolgação com os avanços tecnológicos. Para Robinson, estamos ignorando riscos reais enquanto nos encantamos com promessas futuristas.
A IA vai ampliar o abismo social
Robinson foi claro: “A IA vai aumentar a desigualdade entre países e também dentro deles”. Segundo ele, isso já pode ser percebido com as transformações que vêm ocorrendo no mercado de trabalho e no acesso a recursos tecnológicos.
Enquanto algumas nações avançam rapidamente, outras ficam para trás. E o mesmo vale dentro das fronteiras — profissionais qualificados se beneficiam, enquanto outros veem suas funções ameaçadas pela automação.
Crítica aos “otimistas tecnológicos”
Durante a semana do Nobel, na Suécia, Robinson participou de reuniões com cientistas e físicos envolvidos no desenvolvimento da inteligência artificial. E saiu preocupado: muitos dos envolvidos na criação dessas tecnologias não estão discutindo suas consequências sociais.
“São pessoas que ganharam o Nobel pelo trabalho em IA e não pensam em nenhuma dessas implicações”, criticou, chamando-os de “ingênuos” e “otimistas tecnológicos”.
IA precisa ser compatível com o trabalho humano
Para o economista, a tecnologia não deveria substituir o ser humano — mas sim ajudá-lo a se tornar mais produtivo. E isso exige um debate político realista e urgente sobre o papel da IA na economia global.
Ele defende que os governos e empresas precisam pensar em soluções que mantenham os trabalhadores relevantes, em vez de descartá-los em nome da eficiência.
O alerta vindo dos EUA
Como exemplo prático, Robinson citou os Estados Unidos. Para ele, o país vive hoje as consequências de ter confiado demais no livre mercado e nas promessas da tecnologia e globalização.
“O americano médio não está melhor do que estava há 50 anos”, disse. Ele acredita que a negligência em relação ao impacto social da tecnologia está gerando frustração, instabilidade e um sentimento crescente de exclusão em boa parte da população.
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