
Cientistas criam prótese cerebral que lê pensamentos e os converte em fala com voz original do paciente
Pesquisadores da UC Berkeley e da UC San Francisco fizeram um avanço incrível ao desenvolver uma neuroprótese que transforma pensamentos em fala audível, utilizando a voz original do paciente. Este marco, publicado na revista Nature Neuroscience, é um grande salto nas interfaces cérebro-máquina, pois reduz drasticamente o tempo entre o pensamento e a expressão sonora.
A tecnologia foi projetada especialmente para pessoas com paralisia que afeta a comunicação, usando gravações da voz do paciente feitas antes da lesão. Isso não apenas restaura a capacidade de falar, mas também preserva a identidade vocal do indivíduo.
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Um dos principais desafios nas interfaces cérebro-máquina sempre foi a latência — o tempo que leva para que um pensamento se torne fala. Em estudos anteriores, esse intervalo chegava a oito segundos por frase. Agora, graças à inteligência artificial, essa conversão acontece em menos de um segundo, permitindo uma interação muito mais natural e fluida.
O ensaio clínico foi realizado com uma paciente chamada Ann, que sofria de anartria, uma condição que impede a articulação de palavras devido à paralisia muscular. Os resultados mostraram que a prótese permitiu uma comunicação mais eficaz e deu à paciente um maior controle sobre sua expressão verbal.
O que torna essa tecnologia ainda mais promissora é sua versatilidade. Os cientistas testaram o dispositivo com diferentes interfaces cerebrais, como eletrodos de microescala e sensores não invasivos, o que amplia significativamente seu potencial para futuras aplicações.
O neurocirurgião Edward Chang, principal autor do estudo, destaca o impacto transformador que essa inovação pode ter na vida de pessoas com paralisia grave que afeta a fala. Segundo ele, a tecnologia pode melhorar substancialmente a qualidade de vida desses pacientes, devolvendo-lhes uma capacidade fundamental para a interação social.
Com a base tecnológica já estabelecida, a equipe agora se concentra em aprimorar a expressividade da síntese vocal, incorporando variações de tom, volume e inflexão. Isso enriquecerá ainda mais a naturalidade da comunicação proporcionada pelo dispositivo.
Essa inovação se soma a outros avanços recentes no campo das neuropróteses, como dispositivos que devolvem movimentos a pacientes com paralisia e implantes que auxiliam o cérebro a resgatar memórias específicas. Juntas, essas tecnologias representam um grande avanço nas possibilidades de tratamento e reabilitação para pessoas com diversas condições neurológicas.
A velocidade com que essa área está evoluindo sugere que, em um futuro próximo, poderemos ver aplicações ainda mais sofisticadas das interfaces cérebro-máquina, possivelmente expandindo seu uso para além do contexto médico e reabilitação.
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